“Esperança leva-nos a olhar para o FUTURO!”
Nas XIX Jornadas Catequéticas que se realizaram, dia 21 de setembro de 2024, na casa de Vilar, no Porto, o Senhor Dom Manuel Linda, agradeceu a preciosa participação dos catequistas na missão evangelizadora, na tarefa de lançar as sementes da fé, reforçando o seu bem-haja com a expressão «aprecio muito o trabalho que fazem!».
Salientou, ainda, a importância da catequese num tempo em que a transmissão da fé já não se faz de forma meramente social, num tempo de forte contestação ao fenómeno religioso.
A mensagem centrou-se no Jubileu, convidando os catequistas a prestarem «atenção à virtude frágil da esperança», como diz o poeta Charles Péguy.
Recordou importância de «não correr o risco de que tudo fique pelas palavras» e lançou dois desafios:
- “façamos as crianças olharem na perspetiva de um futuro que pode, deve e tem de ser mais humano”;
- “olhemos a chave da interpretação da nossa razão de ser na IMPLANTAÇÃO DO REINO DE DEUS…”
Para escutar e meditar a mensagem completa propõe-se que aceda ao vídeo divulgado no Facebook do SDEC. Clique aqui para ver o mesmo
Partilhamos com os nossos leitores o poema de Charles Péguy citado pelo Sr. Dom Manuel Linda: A esperança, diz Deus, essa sim causa-me espanto.
A fé que mais amo, diz Deus, é a esperança.
Não é a fé que me espanta.
A fé não me causa espanto.
Porque eu resplandeço da minha criação.
(…) A caridade, diz Deus, essa não me espanta.
Não é para espantar.
Porque a pobre humanidade é tão infeliz
que a menos que tivesse
um coração de pedra, não poderia deixar de praticar entre si a caridade.
(…)Mas a esperança, diz Deus, essa sim causa-me espanto.
Essa sim é digna de espanto.
(…)A Fé é uma Esposa fiel.
A Caridade é uma Mãe.
Uma mãe ardente, toda coração.
Ou uma irmã mais velha que é como uma mãe.
Mas a Esperança é uma menina que parece não ser nada.
Que veio ao mundo no dia de Natal do ano passado.
Que ainda brinca com o janeiro bonacheirão.
(…)Mas é essa menina que atravessará os mundos.
Essa menina de nada.
Só ela, guiando as outras, atravessará
os mundos revolvidos.
(…)A pequena esperança caminha entre as suas irmãs mais velhas
e não lhe é dada a devida atenção.
No caminho da salvação, no caminho da carne,
no caminho pedregoso da salvação, na estrada interminável,
nessa estrada entre as suas duas irmãs,
caminha a pequena esperança.
Entre as duas irmãs grandes.
Aquela que é casada, e aquela que é mãe.
E ninguém repara nela, o povo cristão só repara
nas duas irmãs grandes.
A primeira e a última.
Que caminham com pressa.
Para o tempo presente.
No instante momentâneo que passa.
O povo cristão só vê as duas grandes irmãs.
Só olha para as duas irmãs grandes.
A da direita e a da esquerda.
E quase não repara na que caminha no meio.
A pequena, a que ainda vai à escola.
E que caminha.
(…)É ela, essa menina, que arrasta tudo consigo.
Porque a Fé só vê aquilo que é.
Mas ela, ela vê aquilo que será.
A Caridade só ama aquilo que é.
Mas ela, ela ama aquilo que será.
(…)É ela que faz andar o mundo inteiro”.
Charles Péguy
Os portais do mistério da segunda virtude, Paulinas Editora, 2014, pp. 11. 15.17.20.22




